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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

ARQUITETO E SUA RELAÇÃO COM FORNECEDORES, COMISSÃO, E RESPONSABILIDADES PERANTE A EXECUÇÃO DE SERVIÇOS.




EXISTEM DUAS FORMAS QUE UM ARQUITETO PODE TRABALHAR. A PRIMEIRA É COM FORNECEDORES ESPECÍFICOS, O ARQUITETO VAI FAZER SUAS INDICAÇÕES E ACEITARÁ TRABALHAR APENAS COM DETERMINADAS EMPRESAS. A SEGUNDA É ACEITAR SUGESTÕES DO CLIENTE E VARIAÇÕES DE ACORDO COM ORÇAMENTOS.
EM AMBAS AS SITUAÇÕES O FORNECEDOR DEVE OFERECER O PRODUTO OU SERVIÇO ESPECIFICADO CONFORME PROJETO E DETALHAMENTOS CEDIDOS PELO ARQUITETO.
DÚVIDAS E PEQUENAS SUGESTÕES DIRETAMENTE PARA O ARQUITETO SÃO ACEITÁVEIS, CRÍTICAS SOBRE O PROJETO SEM CONHECIMENTO DO TODO, PEDIDO DE ALTERAÇÕES PARA FACILITAR EXECUÇÃO E CAUSAR DÚVIDAS E SUGESTÕES DE ALTERAÇÃO DIRETAMENTE PARA O CLIENTE SÃO CONSIDERADAS DESLEAIS E SÃO ESSES OS FORNECEDORES COM QUEM PREFERIMOS EVITAR RELAÇÕES PROFISSIONAIS.

QUANDO UM ARQUITETO TRABALHA APENAS COM SEUS PRÓPRIOS FORNECEDORES ELE DEVERÁ SER O RESPONSÁVEL PELA EXECUÇÃO E CONTROLAR O ACABAMENTO COM PERFEIÇÃO. PORÉM, QUANDO O CLIENTE FICA LIVRE PRA ESCOLHER ATRAVÉS DE INDICAÇÕES EXTERNAS OU ATÉ MESMO DE VALORES INFERIOES O ARQUITETO NÃO TERÁ RESPONSABILIDADE NENHUMA, APENAS DEVERÁ APRESENTAR PROJETO DETALHADO E TIRAR POSSÍVEIS DÚVIDAS DO PROJETO.
É COMUM ENCONTRAR NO CLIENTE RECEIO PARA FECHAR COM FORNECEDORES INDICADOS POR NÓS, POR QUE ISSO? PORQUE EXISTE A TAL DA COMISSÃO QUE ALGUNS PROFISSIONAIS OFERECEM PARA QUE SEJAM INDICADOS.
ESSA COMISSÃO EXISTE MESMO? É CLARO QUE SIM! SÃO TODOS OS ARQUITETOS QUE RECEBEM? NÃO! TODAS AS EMPRESAS E PRESTADORES DE SERVIÇOS OFERECEM? A GRANDE MAIORIA SIM!


ENTÃO, VAMOS FALAR DE FORMA PRÁTICA.

1.       O SEU ARQUITETO TEM SIM O DIREITO DE PREFERIR ALGUNS PROFISSIONAIS E EMPRESAS PRA TRABALHAR, PORQUE INTERFERE DIRETAMENTE NO TRABALHO DELE (VALE LEMBRAR QUE A EMPRESA QUE PRESTA SERVIÇO INFERIOR TAMBÉM OFERECE COMISSÃO);

2.       O ARQUITETO NÃO TEM DIREITO DE TE “FORÇAR” A COMPRAR COM UMA LOJA APENAS PARA RECEBER COMISSÃO DO PRODUTO OU SERVIÇO;

3.       VOCÊ PRECISA CONFIAR NO SEU ARQUITETO, PORQUE SE ISSO NÃO ACONTECER ELE SERÁ UM MERO DESENHISTA PRA VOCÊ E A RELAÇÃO PROFISSIONAL NÃO TE OFERECERÁ TODOS OS BENEFÍCIOS POSSÍVEIS. QUER SABER SE ELE RECEBE OU NÃO COMISSÃO? CONVERSE ABERTAMENTE COM ELE.

4.       CASO VOCÊ NÃO QUEIRA FALAR DIRETAMENTE COM TODOS OS FORNECEDORES E NEM SE RESPONSABILIZAR POR ISSO CONTRATE O ARQUITETO PARA EXECUTAR A OBRA, E ASSIM ELE CONTRATARÁ OS PROFISSIONAIS QUE JÁ CONFIA E TRABALHA E SE RESPONSABILIZARÁ POR ISSO.

5.       CASO QUEIRA ESCOLHER SEUS PRÓPRIOS FORNECEDORES, ENTENDA QUE O ARQUITETO PODERÁ FISCALIZAR O TRABALHO, MAS NÃO SE RESPONSABILIZAR POR ELE.

6.       E POR ÚLTIMO, UM PEDIDO PESSOAL MEU: OUÇA MAIS O SEU ARQUITETO E NÃO DÊ MUITA BOLA PARA COMENTÁRIOS PALPITEIROS, SABE? AQUELE QUE VAI DIZER QUE NÃO FICA BONITO ASSIM OU QUE SERIA MAIS FÁCIL DE OUTRO JEITO, MAS NÃO CONHECE NEM 30% DO SEU PROJETO.


UMA DICA: SE FOR CONTRATAR UM ARQUITETO SEM CONFIAR NO TRABALHO DELE, NEM CONTRATE. NÃO VALE A PENA!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Casas modernas em condomínio fechado











Carta aberta aos futuros arquitetos



“E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo”, já dizia Vinicius de Moraes. É assim que muitos descrevem a nossa profissão e eu confesso que às vezes eu também a enxergo assim. Tenho uma página em branco, um lápis ou mais e daí nesse cheio de vazio começo a desenhar uma estrutura que após construída servirá como proteção, como o castelo não é? Garoto, você quer ser arquiteto? Então aprenda desde já que desenhar castelos não é tão fácil, é bonito sim, como a melodia da música, dá na gente uma vontade danada de mudar o mundo com essa tal arquitetura, mas em alguns momentos essa vontade é uma grande quimera.

E eu não falo sobre a dificuldade de enfrentar o cliente ou a equipe de obra, é difícil porque é a vida da pessoa ali. É você tentando representar em uma folha uma vida toda de sonhos, de dor, de trabalho e risadas. Mas não é só representar não é? Como Louis Kahn falava, a arte pode ter vão de portas menores que o ideal, mas a arquitetura não. Ela serve ao homem, é a arquitetura que permite ao ser humano habitar bem. Então quando você pegar sua primeira página em branco, seja ela papel, autocad, sketch up ou revit, pense que não é apenas traçar cinco ou seis retas. Poucos conseguem isso na vida, essa coisa de construir obras imensas partindo de um croqui de 6 retas (não tão retas assim), talvez seja o caso dos croquis de Oscar Niemayer. Mas apenas porque ele tinha uma equipe para desenvolver os pormenores e uma credibilidade que não é fácil ter quando se é jovem e recém formado.

Lembro-me como se fosse ontem do meu primeiro projeto para faculdade. Eu queria tanto girar um quadrado e deixa-lo com a quina para o chão, lembro também da cara do meu professor ao ver meus desenhos traçados. Foi a primeira vez que percebi que arquitetura não era apenas ir ao ritmo de aquarela. Tentei de novo, mas dessa vez eu queria afastar o piso do prédio do terreno, coisa pouca, nada que 50 cm não bastasse para criar na minha biblioteca uma leveza e sensação de estar flutuando. Foi quando eu ouvi a pergunta mágica: “Será que na obra o pedreiro consegue executar acabamento nessa laje elevada 50cm do terreno?” Logo depois eu descobri que sim, com algum empenho era possível. Mas essa pergunta marcou todos meus projetos depois daquilo. Porque não basta apenas desenhar, precisa ser possível. E quando digo possível é no quesito tecnológico e financeiro também. Eu sei que o MASP (da grande Lina Bo Bardi) está pendurado em uma estrutura com vão livre de mais de 70 metros, mas será que esse mesmo vão é compatível com uma residência de 500 metros quadrados? Com a mão de obra que tem disponível na sua cidade ou então com o bolso do proprietário?



Às vezes a faculdade me ensinava a ser utópica, a gente projetava o ideal e não o real. Mas colocar a mão na massa e abrir um escritório de arquitetura em uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes não funciona da mesma forma. Você precisa saber que terá que dominar mais do que um programa de renderização. Existem várias áreas que, a menos que você tenha muito dinheiro, terá que fazer sozinho: administração, gestão, marketing, vendas, inovação, arquitetura em si (muito de arquitetura) e detalhes da própria execução em obra. Você entende? A menos que você opte por prestar concurso ou ser contratado em uma outra empresa de arquitetura, não dá para ser arquiteto sem ter um pouco de conhecimento nesses outros fatores. E digo isso porque não quero que você ouça uma frase que escutei muito em meus 6 anos de formada: “ No papel tudo é possível Valéria, mas aqui na obra é diferente”.

Se eu pudesse te dar um conselho (fora o uso do filtro solar) seria para você aproveitar ao máximo o aprendizado que você terá no estágio. Visite obras, aprenda com o mestre de obra, com o pintor, com o marceneiro, aprenda com seu amigo engenheiro (ao invés de ficar em uma constante disputa). Aprenda com livros, compre-os por conta própria e leia. Quanto mais você souber e estiver aberto a aprender, mais você será respeitado.

A realidade vai bater na sua porta todos os dias pós-formado, ela bate quando você recebe o cara que não quer pagar o justo, bate quando você percebe que tanta gente não tem a dignidade de um teto enquanto você detalha molduras de gesso em estilo neoclássico. Bate quando fornecedores exageram na tentativa de te ganhar por uma especificação do produto dele, e quando você percebe que aquilo que projetou não é condizente com a realidade. Você logo vai descobrir que não é tudo tão bonito quanto parece no início do curso, mas será que alguma profissão é? Tente rir das coisas absurdas que você ouvirá, tente ser firme com suas decisões, mas dê ouvidos às críticas (mesmo que não faça sentido pra você).

O importante é que sim, a nossa profissão sempre vai interferir em detalhes da vida de alguém. Continue acreditando! Não deixe de pensar no financeiro, no cronograma, nos detalhamentos. Mas continue acreditando no porquê da arquitetura existir, do motivo pelo qual abrimos mão de morar na cabana primitiva que você estudou no início da graduação.

Meu amigo, faça o seu melhor, mas não aceite ser inferiorizado para isso. Lute pelos seus sonhos, mas principalmente, lute pelo dos clientes. São eles que dão sentido a nossa profissão. E se você não quiser abrir mão da utopia, permaneça no mundo acadêmico, o sonho faz bem lá e vai te remunerar com estabilidade (se é que ela existe). Aqui fora ser arquiteto é vender todos os dias.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Arquitetura X moda

Quando eu tinha 12 anos ria das fotos dos meus pais e tios com calça boca de sino, logo depois foi a vez do ódio ao salto quadrado,  passei os próximos anos julgando roupas e sapatos da geração anterior, hoje em dia julgo a mim mesma por peças que já usei. O mundo da moda é assim, vai e volta. Tenho certeza que daqui a 10 anos, nossos filhos terão a mesma reação ao olhar nossas fotos antigas.

A indústria da moda permite que essa variação seja constante, roupas não precisam durar muitos anos, aquele terno com ombreiras foram substituídos por outro com desenho mais discreto,  e por outro e pelo modelo Slim e agora pelo super slim. 


Na arquitetura tem um pouco disto, bem vemos pelos ladrilhos hidráulicos que voltaram com tudo ou pelas peças vazadas em estilo cobogó, que se você olhar bem vai vincular à antiga casa da sua avó. 






Tentamos imitar hoje materiais usados há anos atrás. Criamos materiais atuais que imitam outros tanto usados pelos nossos ancestrais. E temos tecnologia, criatividade e mercado para isso.

Madeira plástica

Porcelanato Portobello

Porcelanato imitando mármore

Mas existe uma característica inquietante na arquitetura que precisa ser colocada em destaque. Um prédio é construído para durar, ele não pode seguir cegamente modismos temporários. Uma casa construída no início da década de 90, provavelmente continua cumprindo seu papel ainda hoje (mesmo que tenha passado por algumas reformas), e durante sua vida útil assistiu seus moradores desfilando com distintas roupas de acordo com cada ano.  

Por essa razão, desde a volumetria da fachada até aos pequenos acabamentos, seguir modismos rápidos é uma escolha arriscada. Todo ano somos bombardeados com novas opções, novas cores, novos formatos. E você pode se apaixonar por determinado material e exigir que seu arquiteto o utilize, mas dentro dessa situação é preciso desenvolver um projeto completo onde materiais, formas e função funcionem em conjunto, respeitem os seus moradores e seus hábitos e resistam ao tempo. 

Esse resultado é possível, quantas casas você já não viu por aí, que apesar da idade continuam lindas e atuais? Você tem alguma assim? Manda pra gente, vamos fazer uma postagem aqui sobre elas.
arquiteturavp@gmail.com



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A culpa é sempre do arquiteto! Verdade ou mentira?


Ta aí uma coisa que os arquitetos sentem, que tudo no final sobra para ele. Se o material especificado está muito caro, se o pedreiro errou, se o projeto foi alterado e isso gerou um problema futuro, se a execução do acabamento ficou mal feita e assim vai, a lista é imensa.

Eu concordo que o arquiteto tenha total responsabilidade em controlar mão de obra, preços e execução de serviço. Desde que o mesmo tenha sido devidamente contratado para isso, e quando eu digo devidamente estou falando sim sobre valores.

Quando desenvolvemos um projeto, ele vai para obra devidamente detalhado e é obrigação daquele que vai executar um serviço, seja gesso, granito, madeira ou a própria alvenaria, saber ler o projeto. Não, o arquiteto não faz o projeto apenas para documentar, ele não tem obrigação de instruir a equipe de obra do que está descrito no projeto, em contratos sem esse tipo de exigência do cliente.

Quando alguém vai construir e decide que não quer preocupação nenhuma com equipes de pedreiro e nem mesmo com detalhes de acabamento é a hora de pensar em remunerar um profissional mensalmente para que o mesmo execute e controle de perto a sua obra.

A grande dificuldade do mercado atual é que, na maioria das vezes, os clientes decidem por economizar nessa etapa, e após encontrar alguns erros acabam decidindo que a culpa é do profissional que desenvolveu o projeto, afinal ele deveria ter olhado de perto se estava sendo executado tudo como está detalhado nas várias pranchas que foram pra obra.

Ao buscar valores menores, muitas vezes a pessoa não se atenta ao que está incluso no contrato. Conheço casos em que a pessoa assinou o contrato e nem mesmo lembra os serviços que foram pagos ou não.




Aquela velha frase que diz que o barato sai caro, faz muito sentido ao construir algo. Antes de fechar um contrato entenda exatamente o que estão te oferecendo e os serviços que você planeja receber do profissional. Transparência é uma das principais qualidades ao escolher um arquiteto, é importante que você possa discutir abertamente sobre valores e serviços ofertados.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Residencia em três pavimentos

Residência para jovem casal, dividida em três pavimentos.
Fachada frontal com forte presença e elementos lineares e simples, as janelas principais ficam protegidas por brises metálicos móveis

Ao fundos o vidro aparece com mais personalidade, a casa se abre para o pátio central e área de lazer.


Espaço de lareira ao ar livre, todo revestido em madeira para gerar o conforto necessário a uma noite com amigos

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

7 passos para planejar bem uma reforma

1. Defina limite de investimento financeiro e até onde isso te permite ir:

É importante colocar um limite financeiro para saber o que será possível ou não reformar, com frequência vemos reformas que começam sem planejamento e levam o proprietário a dívidas que não planejava ou, em alguns casos, a economizar em mão de obra na tentativa de fazer tudo o que gostaria.

2.    Defina quais as modificações e reparos você considera de mais importância:

Essa fase é importante para que os pontos de reforma sejam compatibilizados com o valor que você pretende investir. Se o dinheiro não da para executar todas as modificações necessárias você poderá se planejar para que a reforma aconteça em duas etapas e de forma coerente.

3.    Tenha um projeto definido e preveja os problemas:

O projeto vai estipular tudo em uma obra, valor de mão de obra, valor gasto em materiais, o que precisa ser trocado e aquilo que pode ser mantido. É nessa fase que alguns futuros problemas precisam ser previstos antes que a reforma comece, como reparos de infiltração, mudança de pontos elétricos, e pequenos consertos necessários.

4.    Monte um cronograma de obra junto com seu arquiteto:

De acordo com as prioridades, valor e projeto definido você pode obter um cronograma de obra. Neste cronograma serão definidos prazos de serviços, necessidade de produtos em determinadas datas (como piso, luminárias etc) e valor gasto a cada etapa. Esse planejamento te dará mais segurança e controle da sua obra.

5.    Avise aos vizinhos, principalmente em caso de apartamento:




O direito de reformar sua casa ou apartamento, desde que em horário comercial, é garantido a você, mas avisar seus vizinhos sobre a sua obra e prazo estipulado para término poderá prepara-lo melhor para conviver com barulho e pó. Essa atitude poderá evitar um futuro problema.

6.    Opte por fazer toda a parte de quebra antes de dar acabamento em qualquer ambiente:



Dessa forma todo impacto será causado de uma vez, e caso alguma parede sofra algum problema com o quebra- quebra, ela poderá ser reparada junto com todo o acabamento já planejado.
  
7.    Considere uma verba extra para imprevistos:

Infelizmente, alguns itens da obra às vezes podem nos pegar de surpresa. Uma fiação que precisa de reparos, um encanamento muito velho, estruturas internas que não eram possíveis de ser analisadas antes de quebrar as paredes. Por isso aconselho a sempre manter uma margem de verba extra quando começar um reforma, você pode pensar em manter 10% do valor que será gasto para esse tipo de imprevisto.



Reformar nunca é fácil, mas com planejamento e ajuda de bons profissionais o resultado pode ser surpreendente e mudar, e muito, a vivência da família. Como dizem por aí: para ficar bonito, antes tem que ficar feio.